Estes pregadores neo pentecostais..perdoai-lhes
senhor..
O SUJEITO PENSA QUE
DISSE, MAS NÃO DISSE NADA
Ao ouvir algumas pregações neste último
fim de semana resolvi que não posso deixar de trazer à tona a sugestão de que
todos os pregadores deveriam ser primeiramente pastores, de terem pelo menos
dez anos de crente e de terem sido pelo menos oito anos seguidos professores de
Escola Dominical. A sugestão, é claro, parecerá odiosa àqueles que imaginam que
cada um recebeu de Deus um ministério e por isto todos devem permanecer na
vocação para a qual foram chamados e que ninguém precisa se capacitar porque é
Deus quem capacita o homem.
É característico dos neo-pregadores
avivalistas de nossos dias não compreenderem o projeto de Deus e não dar a este
projeto qualquer atenção. Como alguém deseja ser mensageiro de uma pessoa a
quem ele não conhece? Como alguém representará uma pessoa com quem ele não
aprendeu na prática sua cultura, seu jeito de pensar, seu modo de agir? Como
representar um Projeto com o qual você não tem afinidade? - O Evangelho é um
Projeto de Deus.
Não compreender o Plano de Deus faz os
pregadores achar que o poder de Deus, ou os dons espirituais, não passam de um
utensílio ou de um adorno, sem enxergar que o dom não existe para nós fazermos
alguma coisa com ele, mas para ele fazer algo conosco: para nos construir e nos
fortalecer enquanto seres capazes de trazer a revelação da vontade de Deus aos
homens. E esta revelação só é efetiva quando se está plenamente afinado a ela.
Não é a sublimidade de palavras ou o
repertório dos conhecimentos humanos que revelará o poder do Evangelho. O Poder
de Deus não se manifesta através da eloqüência ou da capacidade que o pregador
tem de arrebatar a atenção do auditório.
Quando eu comecei a pregar, há 27 anos
atrás, não havia 10% dos pregadores que existem hoje. E, digo mais, não havia
tantos “bons pregadores” como os de hoje.
Porém, com minha experiência cristã e
como bom observador do que se passa no Reino de Deus, vejo com preocupação o
crescimento de pregadores, de compositores de músicas evangélicas e até mesmo
de novos pastores que não sabem o que estão falando, apesar de estarem falando
bonito.
Como a Igreja não está investindo na
formação de líderes e muito menos de pregadores genuínos, já começamos a
assistir a uma infinidade de pregações estupefacientes que hoje danam as melhores
inteligências e nos arrastam a uma paralisia espiritual, a um falso avivamento.
Formar obreiros, fazendo-os passar por
todas as etapas do ministério eclesiástico, esperando o amadurecimento que só o
tempo proporciona, exigindo deles maior dedicação e compromisso com a Palavra é
um santo remédio para essa crescente onda de obreiros falaciosos que conhecemos
em nossos dias.
Não digo que esse remédio, sozinho,
possa deter a alucinante precipitação da inteligência no meio dos obreiros
evangélicos ladeira abaixo. Mas pode melhorar a compreensão dos textos
bíblicos, pode fazer com que cada pregador tenha mais e maior responsabilidade
no momento de pronunciar algumas frases de efeito e pode tornar as pregações
mais suportáveis.
A maioria dos pregadores, arrastados no
declínio da exigência intelectual do povo de Deus, mesmo os homens mais
preparados acabam por perder de todo a compreensão do que lêem e mesmo do que
dizem.
O deputado José Genoíno afirmou há um
tempo atrás: “Há dois documentos da Igreja que prezo muito e coloco no mesmo
patamar do Manifesto Comunista: Os Dez Mandamentos e O Sermão da Montanha.”
Ele não é um pregador evangélico,
apenas citei-o como exemplo do que ouvimos frequentemente em nossos púlpitos. O
filósofo Olavo de Carvalho quando comentou essa afirmação do deputado Geníno
disse que "Se Os Dez Mandamentos põem Deus acima de todas as coisas, o
homem que diz amá-los tanto quanto a uma filosofia que professa expulsar Deus
dos céus está, no alto, declarando que para ele o culto a Deus e o ódio a Deus
valem exatamente a mesma coisa. Obviamente pode-se desprezar por igual essas
duas coisas, ou amá-las em sentido desigual, mas jamais amá-las por igual. Isso
decorre da simples apreensão do sentido do enunciado, e é esta apreensão que na
declaração do deputado falha por completo".
O filósofo disse ainda que
"Considerados na mesma clave de sentido, Os Dez Mandamentos e o Manifesto
Comunista nunca têm valores idênticos. Se um diz a verdade, o outro mente. Não
há terceira alternativa. Nem Genoíno, nem qualquer outro ser humano pode
amá-los “no mesmo patamar” sem, no ato, declarar guerra àquilo que diz. Se ele
afirmasse que seu coração oscila entre dois pólos, ou então que ama os dois
textos em planos diversos, ou que nenhum deles diz nada exceto como documento
histórico, tudo estaria bem". Ao expor como emblema convencional da
harmonia dos contrários algo que, de fato, é a mútua hostilidade dos
incompatíveis, ele cai no mesmo tipo de linguagem auto-hipnótica que hoje
domina nossos púlpitos, uma linguagem que, em vez de despertar a consciência, a
entorpece.
Outro dia eu ouvi um pregador dizer que
o Senhor havia lhe dito que naquela noite de domingo, Ele, derramaria sua
glória exclusivamente naquela igreja, pois de todas as igrejas de Brasília, o
Senhor havia escolhido aquela para operar maravilhas naquela noite. Basta
conhecer ao Senhor para saber que o Senhor jamais diria isto. Daí é impossível
conseguir continuar ouvindo tal pregador por mais 60 eternos minutos.
Se eu começar a citar o que nossos pregadores tem dito em nossos
púlpitos, vou cansar o amigo leitor. Apenas, sugiro que nos preocupemos mais, e
sem hipocrisia alguma, em formar os pregadores da próxima geração, porque os
dessa são, em sua grande maioria, péssimos. Não conhecem o Plano do Evangelho,
falam muito e falam bonito; têm eloqüência e timbre de voz impressionantes; têm
uma memória fantástica para dizer uma infinidade de palavras difíceis afim de
mostrar o quanto são inteligentes, Mas, em sua maioria não sabem o que dizem.
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